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Vídeos de jogos, silêncio e treinos na folga moldam nova fase de Anderson

Não bastou o talento pelo qual Anderson ficou conhecido para ganhar uma posição de destaque no Inter. Claro, a melhora no futebol ajudou a colocá-lo novamente entre as principais peças de Diego Aguirre. Porém, o canhoto precisou mostrar outras facetas até alcançar essa reviravolta, que vão da autocrítica até estudo de seus jogos e treinamentos em dias de folga.

Após os primeiros meses de decepção, quando chegou, inclusive, a sobrar do banco de reservas em algumas oportunidades, o meia virou um reforço para Aguirre para as etapas decisivas da Libertadores e o Brasileirão. Depois de nove anos na Europa – no qual defendeu Porto, Manchester United e Fiorentina -, Anderson demorou para embalar. 

Na estreia, em 11 de fevereiro, perdeu um pênalti, no empate em 0 a 0 com o Cruzeiro-RS, pelo Gauchão. A sequência também foi inconstante. Apenas uma assistência, na vitória por 2 a 0 sobre o Brasil de Pelotas. Ainda teve a expulsão na vitória por 1 a 0 sobre o Ypiranga-RS.

Anderson alternou partidas como volante e outras como armador. Em ambas, com dificuldades. O pouco futebol o fez cair em descrédito. Virou alvo de críticas da imprensa e dúvidas por parte da torcida. Foi o momento de entrar algo que o próprio disse que necessitava quando aceitou o convite de rumar para o Beira-Rio: o carinho.

– Ele ficou quase dois anos sem jogar. Saiu do Brasil um guri, voltou um homem feito, com filhas e uma vida estruturada lá fora. Conversamos muito com ele. O presidente (Vitorio Piffero), o Diego (Aguirre) e eu chegamos nele várias vezes. Dissemos que confiávamos nele, que daríamos todas as condições para ele mostrar seu futebol – afirma o diretor de futebol Carlos Pellegrini.

O afago nos vestiários não foi o único. Com Sérgio Leismann, seu procurador, buscou o refúgio. Ouviu conselhos, tratou de rever como estava seu futebol, o que estava fazendo de errado. E entendeu que não deveria rebater as críticas.

– Cansamos de analisar os vídeos. Ele ia para minha casa e conversávamos bastante. O Anderson voltou maduro da Europa. Ele não se queixava, ficava quieto. O silêncio absoluto foi fundamental nessa hora – explica Sérgio, ao GloboEsporte.com.

A cúpula, enquanto isso, mantinha o discurso inalterado. Lembrava que era preciso dar tempo ao canhoto, crente de que, aos poucos, seu talento reapareceria. Para isso, teria uma sequência de jogos e uma rotina de treinos, até para alcançar o condicionamento dos companheiros.

Em entrevista ao GloboEsporte.com em abril, Anderson revelou que estava com 60%. No intuito de acelerar o processo, mostrou algo que talvez ninguém esperasse, até pelo currículo estrelado no Velho Continente: empenho em dobro. Mesmo de folga, se apresentava no Centro de Treinamentos do Parque Gigante para cumprir uma rotina de exercícios.

– O Anderson só pensou em trabalhar porque sabia que evoluiria. Não reclamou e treinou. Ele cansou de treinar quando nem precisava. Nunca faltou, muito menos se atrasou para algum treinamento. E é o que eu sempre digo: o tempo é o senhor da razão – diz o procurador. – O Anderson sabe a qualidade que tem, o grande jogador que é. Ele é marrento, sabe bem o que pode fazer. E o futebol se mostra no campo. Era inevitável que crescesse.

– Se ele não quisesse, seria muito fácil. Mas não. O Anderson se cobra muito. Isso reflete no trabalho. Ele sempre quis mais. Queria chegar ao seu limite. É um grande profissional. Busca a perfeição – completa Pellegrini.

No Brasileirão, tem sido um dos destaques. Foi assim no empate em 1 a 1 com o Vasco, no de 0 a 0 com o São Paulo e no triunfo por 2 a 0 sobre o Coritiba no último domingo. O resultado empolga a cúpula. Porém, Anderson mantém o nível de exigência, conforme diz Pellegrini:

– Estamos muito satisfeitos com esse crescimento, mas ele sabe que pode mais. O Anderson voltou ao Brasil para ser ídolo do Inter e jogar novamente pela Seleção. Ele tem muito a dar.

A sequência de boas partidas, entretanto, sofrerá um pequeno hiato. Anderson levou o terceiro cartão amarelo e precisará cumprir suspensão neste sábado contra o Corinthians. Nada que abale a confiança do vestiário. E do próprio. Com apenas 20 partidas, ainda tem espaço para mostrar mais futebol. Seu contrato é de quatro anos.

Diego Aguirre Anderson Inter Internacional Palmeiras (Foto: Alexandre Lops/Inter)

Fonte: Globo Esporte