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Tridente MBM, bola aérea… Jornalistas paraguaios esmiuçam tudo do Olimpia

É hora do segundo e último desafio do Botafogo na Pré-Libertadores, e um rival ainda mais tradicional do que o Colo-Colo aparece pela frente, deixando muitos alvinegros preocupados: o Olimpia, do Paraguai, com sete finais disputadas do torneio e tricampeão do continente. Mas afinal, que “Rei de Copas” o time de Jair Ventura vai encontrar às 21h45 (de Brasília) desta quarta-feira, no Estádio Nilton Santos? Para entender melhor o momento do adversário, o GloboEsporte.com entrevistou três jornalistas paraguaios: Juan Carlos Flecha, da rede “ABC Color”, Ariel Insfrán, da “Rádio Monumental”, e John Ferrari, da Rádio 970 AM.

O Olimpia contratou tanto quanto o Botafogo. Foram sete reforços: o goleiro Azcona, os atacantes Mouche (ex-Palmeiras) e Brian Montenegro, o zagueiros Pellerano e Edcarlos, o meia Rafael Acosta e o ponta Jonathan Gonzáles. Mas só os quatro primeiros viraram titulares do técnico Pablo Repetto. O time paraguaio começou mal das pernas a temporada, mas cresceu de produção nos últimos jogos a medida que os jogadores foram ganhando entrosamento. E eles chegam descansados, pois não entraram em campo no final de semana – a partida contra o Sportivo Luqueño pelo campeonato nacional foi adiada a pedido do próprio clube.

Os repórteres analisam os pontos fortes do Olimpia, time que joga muito pelos lados, aposta nas bolas aéreas – fantasma do Alvinegro em 2016 – e tem na trinca Mouche, Benítez e Montenegro seu maior destaque. Por outro lado, oferece muitos espaços na defesa a serem explorados. Eles contam ainda o que conhecem do Botafogo e dão palpites para o duelo. Confira abaixo:

GloboEsporte.com: como o Olimpia chega para a partida desta quarta-feira?

Juan Carlos Flecha: Olimpia chega em um bom momento, ainda que tenha nuances. “El Decano” tem ainda uma equipe em formação que causa certas dúvidas na torcida. A falta de gol nos amistosos foi uma dor de cabeça que parece ter sido superada já nos primeiros jogos oficiais da Libertadores e do torneio local. A esperança das pessoas e do time é alta, mas o excesso de confiança é um risco que os olimpistas não estão dispostos a correr e vão com cautela, passo a passo.

Ariel Insfrán: Olimpia é um time renovado comparado com o do ano passado. Se bem que a base se manteve, chegaram muitos jogadores novos de experiência, só que no final da pré-temporada. Pré-temporada que não foi boa em relação a resultados, mas nos últimos jogos oficiais a equipe foi de menos para mais e mostrou muita hierarquia para passar de fase. Isso faz com que o Olimpia chegue muito motivado para o duelo com o Botafogo.

John Ferrari: Com ar de vitória. Vai demonstrar, ou tentar demonstrar, por que está nesta Libertadores. Uma equipe que foi crescendo durante as partidas, sendo que a chegada de seus últimos reforços mudou a sua cara. E disputou os jogos com a “garra guarani”, especialmente no último, onde se viu uma combinação de juventude com hierarquia. Jovens como Rodi, Bogado e Fernández querendo suar a camisa em campo com jogadores de seleção, como Roque Santa Cruz, Riveros e Ortiz. Um plantel sedento para conhecer a glória.

Por que o jogo contra o Sportivo Luqueño que seria no fim de semana foi adiado? O Olimpia pediu?

Juan Carlos Flecha: o jogo foi suspenso por mútuo acordo entre Olimpia e Luqueño. Na programação da rodada já haviam que, se o “El Decano” se classificasse na Libertadores, a partida seria adiada porque iriam ter apenas 48 horas entre o compromisso local e o duelo contra o Botafogo.

Ariel Insfrán: O Olimpia pediu para adiar pela proximidade da partida e da viagem com o duelo contra o Botafogo. A comissão técnica crê que era conveniente ter mais tempo de trabalho e preferiu atrasar o jogo pelo tornei local.

John Ferrari: Foi adiado por uma questão do regulamento da APF, que diz que uma equipe que participa de torneios internacionais pode atrasar seu compromisso se não cumprir 72h até o início da partida. Assim, voltará a programar este encontro

Qual é o ponto forte da equipe de Repetto?

Juan Carlos Flecha: Pelo que se viu até agora, o tridente ofensivo formado por Julián Benítez, Mouche e Brian Montenegro é o ponto mais forte do Olimpia. Também existem individualidades interessantes no meio, e na defesa se vê certa solidez, ainda que todas as linhas seguem com dúvidas por ser uma equipe em formação.

Ariel Insfrán: O Olimpia se converteu em uma equipe que se destaca no meio de campo e tem muita velocidade para atacar. A isso se soma a hierarquia de jogadores como Riveros, Ortiz, Mouche, Benitez e Santa Cruz. Somados à juventude de Montenegro Fernandez e Ferreira, fazem do time dinâmico e potente.

John Ferrari: A tática ofensiva, buscar as beiradas. As diagonais com Julián Benítez ou cruzamentos para os pilares Roque Santa Cruz e Bryan Montenegro. Um plantel que a passos lentos vai encontrando seu jogo.

E o ponto fraco, que o time precisa melhorar?

Juan Carlos Flecha: O maior defeito creio que segue sendo a dúvida que se traduz em um gol incrível do Independiente Del Valle em Assunção e que quase o deixou fora. Ser um time em formação e com muitas figuras novas continua custando ao Olimpia.

Ariel Insfrán: Um defeito poderia ser o setor defensivo. Ainda não conseguiram estabelecer uma parede de zagueiros fixa. Se espera que Pellerano e Edcarlos fiquem prontos rápido para ocupar esse setor. Assim também com os laterais, que ficam sobrecarregados na marcação.

John Ferrari: A marcação. Sem bons laterais, alterna a cobertura constantemente, deixando espaços para o rival. Há dúvidas na defesa, que ainda não pode ser consolidada. O técnico utiliza um ponta como Gimenez para cobrir a necessidade de não ter um lateral canhoto de ofício.

Para você, quem é o destaque da equipe?

Juan Carlos Flecha: Pela continuidade na equipe, fico com Julián Benítez hoje em dia. Isso tendo em conta que sua consagrada figura, William Mendieta, conhecido no Brasil por sua passagem pelo Palmeiras, está se recuperando de ua grave lesão. O argentino Mouche teve aparições interessantes em seus primeiros jogos oficiais na Libertadores e no Campeonato Paraguaio, mas ainda precisa ver como será sua continuidade para se firmar como destaque.

Ariel Insfrán: Não há um jogador que tenha se destacado mais que os outros. E sim vários com níveis de rendimento muito bons como Mouche, Montenegro, Benitez, Riveros e Ortiz, que vêm mostrando coisas muito boas neste início de temporada.

John Ferrari: Sem dúvida alguma, dos últimos reforços, Pablo Mouche é quem desequilibra em campo. Sua habilidade e inteligência fez com que este Olimpia recupere sua raça copeira.

O que conhece sobre o Botafogo?

Juan Carlos Flecha: Do Botafogo sabemos que, como toda equipe brasileira, vai ser um rival duro. Estamos por dentro de sua eliminação no Campeonato Carioca no final de semana após perder para o Flamengo em uma partida com graves problemas do lado de fora. Sabemos também que Montillo é dúvida por problemas musculares, assim como Jefferson está fora. Mas Carli está de volta. 

Ariel Insfrán: Botafogo é uma equipe muito conhecida no Paraguai. Sabemos que é um dos grandes do Rio e do Brasil. Um time tradicional que se não tem muita história internacional comparado ao Olimpia, é um rival muito duro.

John Ferrari: Botafogo é uma equipe sedenta para conquistar uma copa internacional. Depois de um bom tempo voltou a ser visto a nível internacional, um time considerado um dos que têm maior torcida, com um estádio majestoso como o Nilton Santos que mete medo em qualquer rival que o enfrente.

Qual seu palpite para o duelo?

Juan Carlos Flecha: Será um jogo duro, creio que com momentos intensos. Acho que poderia dar empate, ou quem sabe o Olimpia consiga algo histórico como naquela noite de 2012, quando se recuperou de um 3 a 0 (terminou 3 a 3) contra outro time carioca, o Flamengo, e possa até obter uma vitória hoje.

Ariel Insfrán: Depois de ver os últimos jogos do Olimpia, onde elevou muito seu nível, e tendo em conta que o Rio sempre foi uma praça em que o Olimpia se sente bem, creio que a equipe está em condições de levar um bom resultado: um empate ou até uma vitória.

John Ferrari: Será um duelo difícil, ambos estão para grandes coisas. Pressinto que será um empate por 1 a 1.

Mouche Palmeiras (Foto: Marcos Ribolli)

Fonte: Globo Esporte